sexta-feira, 18 de maio de 2012

Soneto de fidelidade


vinicius de moraes



Lindo né?!! Parte do meu soneto favorito, o "Soneto de Fidelidade". Eu cresci ouvindo o meu pai cantarolar esse soneto prá minha mãe. Achava lindo. Talvez por isso eu o tenho como favorito, como marca de amor verdadeiro, infinito.

Quando eu tinha uns 16 anos eu li "O caminho para a distância" e me apaixonei (apaixonada mesmo, eu tinha uma foto dele na porta do meu armário!). Foi o primeiro livro do Vinicius que eu devorei. Sim, essa é a palavra certa. Quando eu li o poema  Vazio era como se ele estive ali, no meu quarto, descrevendo a cena, eu, olhando pela janela. Na minha cabecinha de adolescente sem problemas, mas que achava que tinha todos os problemas do mundo, eu tinha encontrado o meu lugar ao sol. Achei alguém que entendia o que eu sentia. Me apaixonei por ele, pela paixão que esse homem tinha com as letras e as mulheres. Eu achava muito louco essa história de que a gente só é feliz se estiver apaixonado. 

Depois foi o "Para uma menina com uma flor" (Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno...). PQP! Tá aí uma declaração de amor, super fofa, espontânea! Cadê a minha??? E claro, cada livro que eu lia, vinha aquela vontade de viver esse amor de livro, de mentira, que só fica bonito no papel mesmo. Mas a gente só descobre isso depois. 

O tempo passou, Vinicius foi para uma gaveta, e por lá ficou até outro dia, quando eu assisti um especial sobre ele na tv. Nesse show, contaram sobre a vida dele, da primeira mulher a última. E então eu percebi algo que na adolescência não tinha ficado óbvio: o cara era um cafajeste!! Desses graduados, sem vergonha! Como assim largar da mulher depois que a paixão acaba??? E o amor? Não conta? 

Pois então Vinicius, onde você estiver, gostaria muito que você soubesse que eu era apaixonada por você sim, mas, como você mesmo sabe, paixão acaba. E você foi trocado por J. D. Salinger assim que li "The catcher in the rye"

Ainda bem que sabedoria vem com o tempo. E viva os quase 33!


De tudo, ao meu amor serei atento 
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto 
Que mesmo em face do maior encanto 
Dele se encante mais meu pensamento 

Quero vivê-lo em cada vão momento 
E em seu louvor hei de espalhar meu canto 
E rir meu riso e derramar meu pranto 
Ao seu pesar ou seu contentamento 

E assim quando mais tarde me procure 
Quem sabe a morte, angústia de quem vive 
Quem sabe a solidão, fim de quem ama 

Eu possa lhe dizer do amor (que tive): 
Que não seja imortal, posto que é chama 
Mas que seja infinito enquanto dure



Bjo!

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